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No colo de Deus



NO COLO DE DEUS
Por Luiza Gonçalves




Há alguns dias, recebi o telefonema de uma querida amiga. Ela estava mal, sentindo-se triste, solitária e com um “medo” enorme impedindo-a de acreditar, confiar, prosseguir...

Ela disse que inúmeras tristezas ainda insistiam em permanecer com ela. Aparentemente ela havia superado inúmeras barreiras mas, dentro dela a lembrança de cada barreira e a dor de cada uma permaneciam...

Disse-me que queria colo. Ansiava por um companheiro que a entendesse, a ouvisse e a ajudasse a prosseguir mais confiante, mais feliz. Repetia que desejava com toda a força de sua alma alguém que a protegesse, que a apoiasse, que a amasse com o Amor que ela acredita necessitar.

Em resposta a algumas considerações que eu fazia, ela respondia: - “Não me venha com teorias, Lu. Não quero ouvi-las, lembrá-las nem corresponder ao que elas pregam. Muito lindo isto de Amor Suplementar, de “estar inteira” a fim de viver um Relacionamento que de fato valha a pena. Estou cansada de preparar meu Jardim, como você sempre fala.

Estou cansada de ser a única Jardineira da minha vida! Quero colo!!! Colo, entendeu? Quero alguém que aceite minhas dificuldades, minhas carências e nem por isto deixe de me valorizar, me respeitar, me AMAR! Quero deixar de ser em tempo integral a Guerreira, a Mulher Poderosa que já venceu inúmeros obstáculos. Quero ser menina, adolescente, MULHER!"

Deixei-a falar, desabafar e procurei ajudá-la dentro das minhas possibilidades. Desligamos o telefone após ela sentir-se melhor mas fiquei pensando em tudo isto. Muitos de nós, inúmeras vezes nos sentimos imensamente tristes, desmotivados, cansados...

O medo do "fracasso", do "não dar conta" se instala com toda a força. A solidão chega insistindo em nos fazer permanente companhia. Esquecemos teorias, ferramentas e entregamo-nos ao desânimo, ao desalento e a dor nos parece realmente insuportável!...

Nestes momentos gostaríamos de ter alguém que nos pegasse pelas mãos, nos conduzisse a um lugar tranquilo, prazeroso e nos colocasse "no colo". Esta pessoa nos incentivaria a "retirar" de dentro do nosso coração, da nossa mente todas as lembranças tristes. Este homem ou esta mulher entenderia nosso sofrimento e teria o poder de nos libertar do mesmo. Acreditaria em nós, confiaria em nós e nos motivaria a Manifestar Tudo Aquilo que somos capazes...

Sua Presença seria constante, efetiva!
Quanta força acreditamos isto nos proporcionaria!...
Quanto Amor estas atitudes representariam!

Mas, até quando? Ansiamos por parceiros que são HUMANOS e, como tal, teriam seus dias “down” como os nossos. Suas energias nem sempre estariam em alta pois cada um tem suas particularidades, seus problemas, suas superações a resolver.

Eles também em alguns momentos precisariam de colo, de liberdade, do “dar-se um tempo”. Se estes seus momentos de desmotivação coincidissem com os nossos, eles estariam incapazes de corresponder às nossas expectativas. Seríamos dois “famintos” buscando alimento em potes vazios.

Quantas vezes isto manifesta-se em nossos relacionamentos!... Cobramos posturas, performances que nossos(as) companheiros(as) não são ou não estão capazes de corresponder. E isto não necessariamente é falta de Amor. Mas interpretamos tudo segundo nossos filtros mentais e declaramos que não somos correspondidos em nosso Amor, em nosso Carinho...

Queremos obter água cristalina de fontes que temporariamente estão secas!... Onde está o erro? Quem está errando? Que busca incessante é esta que nos leva a procurar Amor, Apoio, Carinho? E quem poderá correspondê-la em tempo integral?

Para mim só há uma resposta: DEUS.
Ele sim pode corresponder a todos estes anseios.
Ele sim tem todo o Poder que auxilia, cuida, motiva e promove Felicidade.

Por que ainda insistimos em não buscá-Lo?

Por que continuamos a apostar nossa Felicidade em alguém ou em alguma coisa? Por que buscamos respostas, soluções fora de nós quando em nosso Interior residem todas as Respostas, todas as Soluções? Por que continuamos querendo matar nossa sede em fontes que não possuem manancial inesgotável?

Por que vivemos nos esquecendo do Deus que, antes de tudo, habita em nós?

Que parte de nós é que nos guia para Caminhos exteriores ao invés de nos conduzir ao Verdadeiro Caminho Interior?

Quando Meditamos encontramos o Manancial que é capaz de suprir nossas Carências mais profundas. Falo sempre que Meditar é ir, inúmeras vezes para o “COLO DE DEUS”. O Bem-estar que esta pratica nos proporciona é indescritível.

Também na prática do Ho’oponopono sentimo-nos assim vezes sem conta: “no colo” de Deus. Em apenas alguns minutos de prática sentimos Sua Força, Sua Presença, Seu Poder. Nosso coração acalma-se e uma Alegria sem razão aparente vem surgindo e tomando espaço onde antes só havia lugar para dores, carências e tristezas!

Quando fazemos a prática da “Subida ao Portal” carências são eliminadas e desfrutamos, ali, no campo de infinitas possibilidades, da Grandeza do Amor de Deus! No Portal temos a consciência de tudo que Deus nos coloca à disposição em relação à criação. Criação de Abundância de tudo o que é bom, como nos diz o Al.

Acredito que já passa da hora de deixarmos de nos contentar com migalhas e optarmos por desfrutar da ÁGUA que mata toda e qualquer sede:

o DELICIOSO AMOR DE DEUS!


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Texto de Luiza Gonçalves
Master Coach
Consultora em Desenvolvimento Humano.
http://luizagoncalvescoach.blogspot.com/

Fonte: http://soubem.net/artigos/no-colo-de-deus
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Doce Pesar

A solidão traz em si algo de tristeza, algo de pesar, e mesmo assim uma profunda paz e silêncio. Tudo depende de como você olha para ela.

Se você se separou do ser amado, olhe para isso como uma grande oportunidade de estar sozinho. Então a visão muda. Olhe para isso como uma oportunidade para ter o seu próprio espaço.

Está ficando cada vez mais difícil termos o nosso próprio espaço, e a menos que o tenhamos, nunca nos familiarizaremos com o nosso próprio ser, nunca chegaremos a conhecer a nós mesmos.

Estamos sempre ocupados, envolvidos em milhares de coisas — relacionamentos, compromissos do dia-a-dia, preocupações, projetos, o futuro, o passado —, vivemos continuamente na superfície.

Quando a pessoa está sozinha, ela pode começar a se aquietar, a assentar. Pelo fato de não estar ocupada ela não estará se sentindo da maneira como sempre se sentiu. Será diferente, e essa diferença pode parecer muito estranha.

E certamente, quando a pessoa está separada, ela perde os seus amores, os seus entes queridos, os seus amigos, mas isso não será para sempre. É só uma pequena disciplina.

E, se você ama profundamente e mergulha fundo em si mesmo, estará ainda mais preparado para amar profundamente, pois só a pessoa que se conhece consegue amar profundamente.

Se você vive na superfície, o seu relacionamento não pode ser profundo. Afinal de contas, é o seu relacionamento. Se você tem profundidade, então o seu relacionamento terá profundidade.

Por isso, considere essa oportunidade uma bênção e aproveite-a. Delicie-se com ela. Se você lamentar muito, toda a oportunidade estará perdida.

E ela não é contra o amor, lembre-se. Não se sinta culpado. Na verdade, ela é a própria fonte do amor. O amor não é o que acostumamos pensar. Não é isso. Não é uma mistura de sentimentalismo, emoções e sentimentos. É algo muito profundo, muito fundamental.

Trata-se de um estado de espírito, e esse estado de espírito só é possível quando você penetra no seu próprio ser, quando você começa a se amar. Essa é a meditação quando a pessoa está sozinha: ame-se a si mesmo tão profundamente que, pela primeira vez, você se torna o seu próprio objeto de amor.

Portanto, nesses dias em que estiver sozinho, seja narcisista; ame a si mesmo, delicie-se consigo mesmo! Delicie-se com o seu corpo, com a sua mente, com a sua alma. E aproveite o espaço que está vazio à sua volta e preencha-o com amor. Não existe nenhum amante ali, preencha-o com amor!

Espalhe o seu amor pelo espaço, e ele começará a ficar luminoso, reluzente. E então, pela primeira vez, você saberá, quando o seu amante se aproximar de você, que agora esse amor tem uma qualidade totalmente diferente. Na realidade, você tem algo para dar, compartilhar. Agora você pode compartilhar o seu espaço, porque você tem o seu espaço.

As pessoas comuns acham que elas estão compartilhando, mas elas não têm nada para compartilhar — nenhuma poesia no coração, nenhum amor. Na verdade, quando elas dizem que querem compartilhar, não querem dar nada, porque elas não têm nada para dar.

Elas estão em busca de alguém que lhes dê algo, e o outro está no mesmo barco. Ele está procurando tirar algo de você, e você está tentando tirar algo dele. Ambos estão, de certo modo, tentando roubar algo do outro.

Por isso o conflito entre os amantes, a tensão; a tensão contínua para dominar, para possuir, para explorar, para fazer do outro um meio para atingir o prazer; para de algum modo usar o outro para a sua própria gratificação.

É claro que escondemos tudo isso atrás de lindas palavras. Dizemos: "Queremos compartilhar", mas como você pode compartilhar algo que não tem?

Portanto, aproveite o seu espaço, a sua solidão. Não o preencha com lembranças do passado nem com fantasias acerca do futuro. Deixe-o como está — puro, simples, silencioso. Delicie-se com ele; brinque, cante, dance. É uma grande alegria estar sozinho!

E não se sinta culpado. Isso também é um problema, porque os casais sempre se sentem culpados. Se estão sozinhos e se sentem felizes, eles se sentem culpados. Pensam: "Como uma pessoa pode ficar feliz longe do ser amado?" — como se você estivesse enganando a outra pessoa.

Mas, se você não consegue se sentir feliz quando está sozinho, como vai conseguir se sentir quando estiverem juntos? Portanto isso não é uma questão de enganar ninguém.

À noite, quando ninguém está olhando, a roseira está preparando a rosa. Lá nas entranhas da terra, as raízes estão preparando a rosa. Ninguém está olhando. Se a roseira pensar: "Só mostrarei as minhas rosas quando houver alguém por perto", ela não terá nada para mostrar. Não terá nada para compartilhar, porque qualquer coisa que você possa compartilhar primeiro tem que ser criada, e toda a criatividade surge das profundezas da solidão.

Portanto, deixe essa solidão ser um útero, e aproveite-a, delicie-se com ela; não sinta que está fazendo alguma coisa errada. Trata-se de uma questão de atitude e maneira de ver. Não dê a interpretação errada. A solidão não precisa ser algo para se lamentar. Ela pode ser cheia de paz e felicidade, depende de você.


Osho, em "A Essência do Amor: Como Amar com Consciência e Se Relacionar Sem Med
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Corra Vagarosamente

"Jesus disse: 'Dois repousarão numa cama: um morrerá e o outro viverá.'"

Exatamente as mesmas palavras estão nos Upanishads. Eles dizem que existem dois pássaros numa árvore: um num galho mais baixo e outro pousado num galho mais alto. O pássaro do galho inferior pensa, preocupa-se, deseja, ordena, acumula, luta, compete; está sempre angustiado, tenso, salta de um galho para o outro, movimentando-se sempre sem nunca repousar.

O outro está pousado num galho superior, está em repouso. Está tão silencioso que é como se não estivesse lá. Não tem nenhum desejo, nenhum sonho. Não tem necessidades a satisfazer, é como se não tivesse nenhum lugar para ir. Fica simplesmente sentado, alegrando-se consigo mesmo, e observa o pássaro que está no galho inferior.

Estas são as suas duas dimensões. Você é a árvore. O que está mais baixo está sempre perturbado. O inferior é seu corpo; as necessidades e desejos são corporais. No galho superior, no topo da árvore, pousa o outro pássaro que é o espectador; fica simplesmente olhando para as tolices do pássaro que está embaixo, pulando, movendo-se em angústia, ansiedade, raiva e sexo — tudo acontece a ele.

Esse pássaro do galho superior é apenas um observador; simplesmente olha aqui e ali como um espectador. Quando a pessoa se esquece de si mesma, completamente, então torna-se uma só — é a árvore.

Jesus diz a mesma coisa com um símbolo diferente: "Dois repousarão numa cama..." Você é a cama. "Dois repousarão numa cama: um morrerá e o outro viverá." Agora, a questão é a quem se deve dar atenção. Para qual você deve mover-se, para qual toda sua energia deve fluir? Qual deve ser sua meta?

Normalmente, aquele que vai morrer é a sua meta. É por isso que está sempre ansioso, porque está construindo uma casa na areia. Ela vai cair — antes mesmo de ser construída, ela cairá e se transformará em ruínas.

Você tem medo porque está escrevendo seu nome na água — antes de o completar, ele já terá ido embora. Sua ansiedade existe porque está interessado no âmbito da morte e não tem olhado na direção da vida. Em cada cama os dois estão dormindo — o outro é apenas um espectador.

Preste mais atenção a ele, volte-se cada vez mais para ele — é isto que significa conversão. Conversão não significa um hindu tornar-se cristão ou um cristão tornar-se hindu. Isto é tolice, uma simples mudança de rótulo. Isso não é mudança, porque o homem interno permanece o mesmo, no velho padrão.

Conversão quer dizer mudar a atenção do âmbito da morte para o âmbito da vida. Há um giro: você olha para o observador, torna-se um com ele, perde-se dentro dele, dentro da consciência e sabe que aquele que vai morrer morrerá. Mas isto não o perturba, não é o problema — porque você sabe que não morrerá e que não há o que temer.

"Jesus disse: 'Dois repousarão numa cama: um morrerá e o outro viverá.'"

E isto cabe a você. Se quiser continuar tendo problemas, nunca dê atenção ao ser interno: se quiser permanecer sempre angustiado, fique na periferia, não olhe para dentro. Mas se quiser repousar, se quiser a paz eterna, se quiser que as portas do céu se abram para você, então olhe para dentro. É difícil — é difícil porque é muito sutil. É possível ver a matéria, mas não o espírito; ele não pode ser visto. É possível ver onde o visível termina, mas não onde o invisível está.

Então, o que deve ser feito? Permaneça no limite do visível e não olhe para ele; olhe na direção oposta. Gradualmente, o invisível começará a ser sentido. É uma sensação, não um entendimento; não pode ser visto, apenas sentido. É como a brisa: ela vem, você a sente, mas não pode vê-la. É como o céu: está lá, mas você não pode dizer 'onde', não pode localizá-lo, não pode tocá-lo. Está sempre lá, e você está nele, mas não pode tocá-lo.

Permaneça no limite do visível, olhando na direção oposta. Isso é o que significa meditação. Sempre que puder encontrar um momento de paz, feche os olhos e deixe o corpo, os prazeres corporais e o mundo da morte para trás; deixe tudo: as lojas, o escritório, a esposa, os filhos.

Na primeira vez, não sentirá nada por dentro. Hume disse: "Muitas pessoas têm falado a respeito de ir para dentro e ver. Mas sempre que olho não encontro nada — só pensamentos, desejos, sonhos, flutuando aqui e ali — um caos." Você também sentirá a mesma coisa. E se concluir que não vale a pena olhar outra e outra vez esse caos, então sairá perdendo.

No começo, só verá o caos, porque seus olhos só podem ver isso — eles precisam ser afinados. Continue olhando para os sonhos flutuantes. Eles voam como as nuvens no céu; entre dois sonhos, nuvens, algumas vezes você verá o azul do céu; entre dois sonhos, dois pensamentos, algumas vezes verá o céu. Não tenha pressa. Se tiver, não conseguirá nada.

Existe um ditado zen: "Corra vagarosamente." Isso está certo! Corra!, porque você está morrendo — nesse sentido, existe pressa. Mas por dentro, se tiver muita pressa, perderá, porque chegará às conclusões cedo demais, antes que seus olhos tenham se acostumado. Não conclua cedo demais.

Corra vagarosamente. Espere! Vá, sente-se, e espere. Aos poucos, o mundo novo do invisível tornar-se-á claro, chegará até você. Ao se acostumar com ele, poderá ouvir a harmonia, a melodia; o silêncio dará início à sua própria música. Ela está sempre aí, mas é tão silenciosa que são necessários ouvidos muito treinados para ouvi-la.

Não é como um ruído, é como o silêncio. O som interior é silencioso; a forma interior não tem forma. Não tem tempo nem espaço e tudo o que você conhece está no espaço ou no tempo, e atualmente os físicos dizem que essas duas coisas, na realidade, não são duas: o tempo é apenas a quarta dimensão do espaço.

Você só conhece tempo e espaço; o mundo das coisas e dos eventos. Não conhece o mundo da auto-observação. Está além de ambos, não está confinado a nenhum espaço ou tempo. A duração existe, mas sem tempo; o espaço existe, mas sem altura, largura ou volume — é um mundo totalmente diferente.

Será preciso acostumar-se com ele, portanto não se impaciente — impaciência é a maior barreira. Percebi que quando as pessoas começam a trabalhar em direção ao ser interno, a maior barreira é a impaciência. É necessária uma paciência infinita. Pode acontecer no momento seguinte, mas a paciência infinita é necessária.

Se você for impaciente, talvez aconteça durante vidas, porque a própria impaciência não lhe permitirá o repouso, a tranquilidade da qual Jesus fala. Até mesmo uma pequena expectativa será um distúrbio. Se estiver pensando que alguma coisa irá acontecer, alguma coisa extraordinária, então nada acontecerá. Se estiver esperando que a iluminação aconteça, perderá. Não tenha expectativas! Todas elas pertencem ao mundo da morte, à dimensão do tempo e do espaço.

Nenhuma meta pertence ao interior. Não há outro meio para isso, a não ser esperar, com uma paciência infinita. Jesus disse: "Observe e tenha paciência." E um dia, de repente, estará iluminado. Um dia, quando a afinação certa acontecer, quando estiver pronto, de repente, estará iluminado. Toda a escuridão desaparecerá e você estará repleto de vida, de vida eterna, a qual nunca morrerá.


Osho, em "A Semente de Mostarda"
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ACEITAÇÃO

Um das lições mais difíceis que precisamos aprender durante nossa vida é a aceitação.

O que quer que estejamos vivendo, por mais doloroso que seja, será mais facilmente suportado se conseguirmos aceitá-lo com todo o nosso coração.

Mas, chegar a este estágio, não é algo que aconteça repentinamente, ou sem alguma resistência de nossa parte. Ao contrário, quando um acontecimento nos causa grande sofrimento, tendemos a rejeitá-lo com todas as forças e a sermos invadidos pelos sentimentos de inconformismo e revolta.

Somente quando conseguimos alcançar um estado de consciência no qual percebemos de modo claro que todas as situações que vivenciamos são providenciadas pela existência, porque constituem lições essenciais ao nosso crescimento interior, é que o processo da aceitação começa a se tornar natural.

Até que isto aconteça, experimentamos inúmeras crises que, em sua maioria, tornam ainda mais duras as provas que temos de enfrentar.

A maturidade e a sabedoria trazem consigo o precioso dom da aceitação.

A partir do momento em que as desenvolvemos, a vida se torna um caminhar mais tranqüilo, onde vamos enxergando em cada fato uma lição a ser aprendida.

Quanto mais cedo chegarmos a este entendimento, maiores serão as chances de nos libertarmos da angustia e do inconformismo.

Qualquer situação em que você esteja, é uma situação dada por Deus - não a rejeite.. É uma oportunidade, uma ocasião para crescer. Se você escapa da oportunidade, você não crescerá.

As pessoas que vão para as cavernas do Himalaia e começam a viver lá, tornam-se muito ligados às cavernas, permanecem não crescidas. Eles permanecem infantis. Eles não se tornam experientes. Se você as trouxer ao mundo, elas vão ser destruídas, não serão capazes de suportar.

... Sim, é bom de vez em quando se mover para as montanhas, é bonito. Mas, tornar-se viciada, começar a pensar em renunciar ao mundo é totalmente errado - porque é nas tempestades do mundo que surge a integridade. É nos desafios do mundo que se cristalizam.

Lu-tsu disse: aceite a situação em que você está. Deve ser a situação ideal para você, por isso você está nela.

A existência cuida de você.
Ela é dada a você não sem uma razão.
Não é por acaso.
Nada é acidental.
Tudo o que você precisa é dado a você.

Se fosse a sua necessidade estar no Himalaia, você teria estado no Himalaia.

E quando surgir a necessidade, você vai achar que você quer ir para o Himalaia ou o Himalaia virá até você.

Acontece... quando o discípulo está pronto, o mestre chega.
E quando o seu silêncio interior está pronto, Deus chega.

E o que for necessário no caminho é sempre fornecido;
A existência cuida como mãe.

Então, não se preocupe.
Em vez disso, aproveite a oportunidade.

Este mundo de desafios - esta agitação constante no exterior - tem de ser usado. Você tem que ser uma testemunha disso, vê-lo. Aprenda a não ser por ele afetado. Aprenda a permanecer inalterado, tocado por ele - como uma folha de lótus na água.

E então você será grato, porque é só por estar alerta de todo o tumulto que um dia, de repente, "os deuses estão no vale." Você vê o desaparecimento do mercado, muito longe, tornando-se um eco. Esse crescimento é real.

E se você pode ser meditativo nas ocupações normais da vida, não há nada que não possa acontecer com você. A luz vai começar a circular, apenas seja vigilante.

Medite na parte da manhã e, em seguida, fique perto de seu centro.

Caminhe pelo mundo, mas mantenha-se perto do seu centro, vá lembrando-se de si mesmo.

Permaneça consciente do que você está fazendo...
E quando as coisas surgirem, aja, mas, não se identifique com a ação.
Continue a ser um espectador...

Faça o que for necessário, apenas como um reflexo.
Faça o que for necessário, mas não se torne um fazedor, não se envolva com o fazer.
Faça-o e finalize com ele, como um reflexo.

OSHO

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